Corpo de 7º vítima de explosão em navio no ES é encontrado - Globo.com

Após 15 dias, o corpo de um dos três funcionários desaparecidos após a explosão no navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus foi localizado na embarcação, segundo informou nesta quinta-feira (26) a BW Offshore, operadora responsável. Sendo assim, sobe para sete o número de mortos na explosão ocorrida, no Litoral Norte do Espírito Santo. A BW disse ao G1 que o transporte do corpo vai acontecer nesta tarde e será levado para o Departamento Médico Legal (IML) de Vitória. 

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) informou que a Polícia Civil embarcou no voo das 10h45 para a plataforma. Ainda de acordo com o Sindipetro, o corpo da sétima vítima foi encontrado dentro da sala de bombas da plataforma. A Secretaria Estadual de Segurança Pública ( Sesp) foi procurada mas ainda não se posicionou sobre as ações da polícia no navio.

Corpo de 6ª vítima de explosão em navio no Espírito Santo é localizado, diz empresa (Foto: Juirana Nobres/ G1 ES)Explosão em navio completa 15 dias
(Foto: Juirana Nobres/ G1 ES)

O navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus é operado pela BW Offshore e afretado pela Petrobras. Segundo a ANP, 74 pessoas estavam no navio-plataforma no momento do acidente, no dia 11 deste mês. Um vídeo mostra o interior do navio após a explosão. Até esta quinta-feira, sete pessoas foram encontradas mortas, 26 ficaram feridas e foram levadas para hospitais. Outras duas continuam desaparecidas. Dois funcionários ainda estão internados em hospital da Grande Vitória.

Representantes da BW Offshore já informaram aos parentes de desaparecidos a localização do sétimo corpo. A informação foi dada aos familiares no hotel em que eles estão hospedados, na orla de Camburi, em Vitória. A empresa disse que ainda não há identificação da vítima.

Eles souberam da notícia logo após voltar do protesto que realizaram na frente da sede da Petrobras no estado. Eles cobraram a localização das vítimas do acidente e foram recebidos na sede da empresa por um superintendente da Petrobras. A empresa e os parentes não disseram o que foi dialogado.

Manifestações
Em dois dias, familiares e amigos dos desaparecidos protestaram por informações sobre as das vítimas. O primeiro ato aconteceu nesta quarta-feira (25), em frente ao hotel Bristol, na orla de Camburi, em Vitória, onde estão hospedados. E o segundo, nesta quinta-feira, em frente à Petrobras, também na capital do estado.

Os parentes abordavam os motoristas e explicavam o motivo do protesto, pedindo que eles fizessem um buzinaço em apoio aos manifestantes.

O mecânico Jorge Monteiro está entre os desaparecidos. O filho dele, que leva o mesmo nome do pai, contou que este 25 de fevereiro era o dia em que o pai estaria chegando em casa após a quinzena embarcado. "Hoje era para o meu pai estar desembarcando, chegando em casa com tanta felicidade, como ele sempre chegou. A única coisa que a empresa diz para a gente é que não sabe onde estão os corpos deles. É muita tristeza, muita angústia. A gente quer mais agilidade nessa busca, respostas, coisas concretas", disse.

Famílias ocuparam avenida de Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Famílias ocuparam avenida de Vitória
(Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

A esposa de desaparecido, Jucimara Santos de Oliveira, disse já ter perdido as esperanças de encontrá-lo com vida. "Vivo a gente já perdeu as esperanças, mas a gente quer pelo menos os corpos. Que eles sejam dignos disso. E a espera está dolorosa, está doendo demais. A gente quer o corpo, para pelo menos enterrar e ter um enterro digno. As coisas estão muito devagar, a gente está de saco cheio. A gente está a ponto de explodir a qualquer momento”, desabafou.

Desde o início da semana, executivos da BW Offshore se reúnem com as famílias dos desaparecidos. Eles passam informações principalmente sobre o bombeamento das áreas  alagadas. "O problema é que os trabalhos estão sendo paralisados durante a noite e o volume de água tem aumentado. Tira de dia e de noite entra água novamente, porque não foi feita a vedação adequada para fazer esse bombeamento", explicou o diretor da Federação Única dos Petroleitros (Fup), Devidson Lomba.

Fiscalização
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) fiscalizou o navio-plataforma. A auditora fiscal do (MTE), Elierci da Cunha Magro, diss que foi elaborada uma lista de exigências para que, após os reparos e o término das operações de resgate, a embarcação volte a operar normalmente. A auditora disse que o estrago no interior da embarcação foi grande. A empresa foi notificada e tem 30 dias para apresentar a análise do acidente.

Danos ambientais
O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES), por meio da Procuradoria da República em Linhares, instaurou inquérito civil para apurar possíveis danos ambientais causados pela explosão.

O MPF disse que o procedimento também visa a acompanhar as possíveis medidas a serem adotadas para repor a situação o mais próximo possível do status anterior ao dano, ou a adoção de medidas compensatórias equivalentes.

Irregularidades
Representantes da BW Offshore e da Petrobras se reuniram no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-ES), que acusava a empresa norueguesa de atuar de forma irregular no estado.

No encontro, o presidente da entidade, Helder Carnielli, informou que serão emitidos autos de infração contra a empresa e a PPB do Brasil Serviços Marítimos, que pertence ao grupo. A norueguesa será multada pela falta de registro na entidade. O valor ainda não foi definido. De acordo com as empresas, todas as questões pendentes foram sanadas.

Na imagem é possível observar antes (acima) e depois (abaixo) do navio-plataforma FPSO Cidade São Mateus (Foto: Divulgação BW Offshore/ Divulgação Marinha do Brasil)Na imagem é possível observar antes (acima) e depois (abaixo) do navio-plataforma FPSO Cidade São Mateus (Foto: Divulgação BW Offshore/ Divulgação Marinha do Brasil)

Polícia Federal
Um inquérito foi instaurado pela Polícia Federal para apurar os fatos que envolvem a explosão. Conforme divulgado pela Polícia Federal, o prazo inicial para a conclusão do inquérito é de 30 dias. Serão investigados os crimes de homicídio ou incêndio qualificado.  A PF também informou que uma equipe fará uma inspeção no navio-plataforma assim que as buscas terminarem e a embarcação for liberada.

mapa acidente plataforma (Foto: G1)

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