Super Terra: Histórico a descoberta do novo planeta.

Cássio Barbosa |

Você deve ter lido sobre uma descoberta histórica no começo desta semana. Finalmente chegamos a detectar um planeta com o tamanho aproximado da Terra, orbitando uma estrela muito parecida com o Sol e ainda por cima a uma distância da estrela tal que se espera a existência de água. Quando digo “finalmente”, é porque quem acompanha o desenvolvimento da instrumentação para a busca de exoplanetas, e mesmo da busca em si, estava acostumado a ouvir que em breve, no futuro, isso aconteceria. Muito bem, o futuro chegou!

O planeta em si, chamado de Kepler-22b, é 2,4 vezes maior que a Terra, o que a coloca na categoria de “super Terra”. A massa deste planeta é de, no máximo, 36 vezes a massa da Terra, mas deve ser algo entre 5 e 10 vezes. Esse é um parâmetro importante, pois determina sua gravidade. Como ela é diretamente proporcional à massa, Kepler-22b deve ter entre 5-10 vezes a gravidade da Terra.
Esse planeta orbita (em uma trajetória quase circular) uma estrela um pouco mais fria que o Sol, nada muito sério, pois ele está 15% mais perto da estrela do que nós estamos do Sol, resultando em um ano completado em 290 dias terrestres. A distância de Kepler-22b para sua estrela-mãe o deixa na zona de habitabilidade, que vem a ser uma faixa de distâncias em que a radiação recebida pelo planeta deixa sua temperatura média adequada para a existência de água. A vida como conhecemos é baseada em água (outra possibilidade poderia ser o metano líquido presente em Titã, por exemplo), portanto, se vamos procurar por vida fora da Terra, o caminho mais lógico é procurar por algum lugar que tenha água. E pode ser essa super Terra.
Pela provável existência de água, pelas semelhanças da sua estrela-mãe com o nosso Sol, e até mesmo pela idade e pelas características de sua órbita, os mais empolgados dizem que esse planeta possa até mesmo já ser habitado! É o que pensa o pessoal do SETI, o projeto de busca por vida inteligente extraterrestre.
Depois de um período desativado por falta de recursos, o projeto SETI ganhou novo fôlego com uma doação do Comando Espacial da Força Aérea Norte-americana. Não que o Comando Espacial esteja procurando por vida inteligente fora da Terra, o interesse deles é monitorar os artefatos em órbita, principalmente lixo espacial que possa por em risco satélites, foguetes e, em especial, a Estação Espacial Internacional. Esse interesse ficou muito maior após a colisão entre um satélite de telefonia global e um satélite russo desativado. Há muitos destroços originados dessa colisão espalhados no espaço pondo em risco outros equipamentos.

Voltando ao nosso planeta, o projeto SETI decidiu apontar suas antenas para Kepler-22b. Combinadas todas as suas características, massa, gravidade, órbita e idade, o pessoal do SETI acredita que se houver uma civilização nesse planeta é bem possível que ela já teria desenvolvido transmissores de rádio. Não que se espere uma tentativa de contato direto; a ideia é tentar captar transmissões “internas” – sinais de rádio ou TV, por exemplo – que tenham escapado do planeta. Assim como se espera que as ondas de rádio produzidas na Terra já estejam espalhadas por quase uma centena de anos-luz.
Ainda que, na minha opinião, esse pessoal do SETI esteja muito empolgado, essa é uma boa ideia. O monitoramento deve começar em breve e deve durar pelo menos um ano. Isso vai atrair a atenção do mundo todo e quem sabe alguém resolve fazer outra doação para manter o projeto em funcionamento por mais tempo?

Fonte: G1

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